Há génios que nasceram para ser eternos!

A frase que dá título a este texto é apenas parcialmente verdade. O ciclo da vida não permite que assim seja e, mesmo os eternos, um dia deixam de fazer parte do palco desta opera burlesca em que vivemos.

José Ruy, o nosso querido Mestre José Ruy saiu de cena ao final da noite de 23 de Novembro de 2022, entrou a 9 de Maio de 1930. Foram 92 anos de empenho, dedicação e duma enorme generosidade.

Ao longo da vida alguns de nós somos bafejados pelo privilégio de nos cruzarmos com pessoas que, de tão preciosas que são, nos convencemos que estarão sempre cá. Esquecemos que isso, fisicamente, não é possível e quando despertamos para a dura realidade do seu desaparecimento físico sentimos um enorme choque, um violento despertar para a realidade.

José Ruy tinha o seu lugar, por mérito próprio, no topo do pedestal. Tenho, no entanto, que confessar que foi das pessoas mais generosas, humildes, dedicadas e empenhadas que tive o raro privilégio de conhecer ao longo da vida. Toda e cada vez que que a sorte me bafejava e me permitia estar, conversar, trabalhar com José Ruy recebi enormes e valiosas lições de vida. Lições dum génio que não sabia dizer não, um génio que sempre que desafiado para algo estava sempre na primeira linha e, a esse desafio, dedicava todo o seu ser, todo o seu saber, toda a sua generosidade.

Ao longo de 92 riquíssimos e preenchidos anos repartidos entre os seus 3 amores, a minha querida Maria Fernanda Pinto, a Banda Desenhada e sua adorada terra, a nossa Amadora. Penso que será errado separar a sua entrega em 3, na realidade José Ruy tinha um amor indiviso, amava a vida.

Não será exagerado, nem fruto do momento, afirmar que todos os que lidámos com José Ruy, a cultura, a Amadora ficamos hoje muito mais pobres e até, na ausência da sua palavra e do seu incondicional apoio, desamparados. Confortar-nos-á, mas também nos responsabiliza, saber que o seu legado, os seus ensinamentos e o espírito com que nos contagiou, continuarão por cá e não os esqueceremos porque… Há génios que nasceram para ser eternos!

Jacinto Furtado

José Ruy, nos Encontros Imaginários na Amadora, em Maio de 2017, dando vida a Albert Einstein

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